Departamento de R. H. na berlinda
Qual o papel do departamento de recursos humanos num momento em que o mundo atravessa tantas turbulências, e qual seu futuro, já que tantos setores estão na iminência de transformações radicais?
Sua pergunta chegou à nossa caixa de correio no mesmo dia em que recebemos um recado de um conhecido que tinha acabado de ser demitido do setor editorial - certamente um dos que, conforme você mesmo diz, estão na "iminência de transformações radicais". Ele descreveu sua demissão como uma experiência quase orwelliana: ele simplesmente foi chamado a uma sala de reuniões e lá foi informado, por uma consultora de recolocação, que estava sendo dispensado. A consultora disse que ligaria para sua casa à noite para se certificar de que "tudo estava bem". Qual foi a reação de nosso amigo? "Eu disse a ela que ficasse tranquila, que eu tinha amigos, família e um cachorro", ele escreveu na mensagem que nos enviou. E aproveitou para fazer um "memorando" aos profissionais de recursos humanos: "Em vez de colocar o demitido em uma sala com gente amável da área de recolocação, coloque-o em uma sala com um punhado de louça e deixe-o ali alguns minutos para que tenha alguns momentos de terapia arremessando coisas na parede".
Sugerimos outro memorando mais sério ao pessoal de RH, com o seguinte título: "As demissões são seu momento da verdade". O texto diria o seguinte: "Sua empresa deve tratar os empregados que a estão deixando com a mesma atenção e dignidade que demonstrou quando foram contratados. O RH dá prova de sua coragem e de seu valor durante as demissões, porque nesse momento fica claro se a empresa realmente se importa com seu pessoal ou se a atenção que diz ter é só da boca para fora".
Já escrevemos anteriormente sobre o RH e o papel de mudança que, em nosso entender, ele pode e deve desempenhar como organismo responsável pelos processos de contratação, avaliação e desenvolvimento na empresa. Dissemos que muitas companhias relegam ao RH aquelas tarefas rotineiras que não levam a nada: produção de newsletters, piqueniques e prêmios. Já defendemos também em outra ocasião que o presidente deveria elevar o chefe do RH ao mesmo patamar do diretor financeiro.
Fonte: CRA - Conselho Regional dos Administradores